SUPERENDIVIDAMENTO: que “bicho” é esse?


O superendividamento[1] é um fenômeno social que cresce a cada dia. A facilidade de acesso ao crédito, de um lado, e a ausência de conceitos básicos de noções de ordem financeira[2], de outro, estimulam a adesão às facilidades do mercado consumerista, mas, em contrapartida, incentiva a absorção irracional dessas ofertas.

Desse modo, grande parte do orçamento familiar é comprometido por longos prazos e, no surgimento de urgências, como saúde, por exemplo, as dívidas de segundo plano, como o pagamento de parcelas de carro ou faturas de cartão, não são satisfeitas no regular vencimento.

Nesse passo, como as dívidas chegam a um montante não passível de adimplemento imediato, o devedor vê seu nome inserido aos serviços de proteção ao crédito e, ainda, sem condições de acordar com seus credores de modo menos oneroso que, concomitantemente, o permita satisfazer suas necessidades de primeira ordem.

Nesta dificuldade, dívidas tributárias também podem surgir, levando o indivíduo a ocupar o polo passivo de uma execução fiscal, aumentando ainda mais as limitações creditícias e de acesso aos produtos do mercado.

A este imbróglio financeiro, ocasionado pelo acúmulo de várias dívidas sem a possibilidade de saldá-las fácil e celeremente, ressalvadas aquelas contraídas em função da profissão, atribui-se o nome de Superendividamento[3].

Este fenômeno socioeconômico atinge não só aquele indivíduo imergido nas dívidas, mas também toda a sociedade, uma vez que se a mesma situação alcança relevante número de pessoas, tal fato estremece todo o sistema financeiro do país.

É visível que o consumo desregrado tem estímulo por toda a mídia, o que fomenta, ainda mais, a realização de dívidas e dívidas.

Diante do que se tem visto nas relações financeiras e no bombardeamento do “compre isso, compre aquilo”, chegamos ao ponto de vermos ser necessária a educação financeira de crianças, jovens e adultos.

Assim, todos teriam condições de planejar melhor o binômio receitas x gastos ou, talvez, receita x gastos e, dessa forma, direcionar seus rendimentos de forma a permanecer longe do temido Superindividamento.





[1] Abordagem suscinta, didática e conceitual.
[2] Essa noção de conceitos de ordem financeira a qual nos referimos é, por exemplo, saber o que juros ao mês (% a. m.), juros ao ano (% a. a.), juros simples ou compostos, entre outros vocábulos dessa natureza.
[3] A palavra ainda não encontra previsão no VOLP, mas é amplamente empregada nos artigos da seara empresarial que abordam o assunto.

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